"Never let me go - 2° Capítulo"

domingo, 30 de junho de 2013

 "Um momento não é tudo… Mas você é tudo em um só momento."




Sábado, 11hrs. Vídeo locadora


Por que em San Francisco era tão difícil de se achar uma locadora? E por que quando eu achava, ela não tinha filmes bons? Eu estava com um papel meio amaçado em mãos, onde havia os nomes dos filmes que Zoe tinha selecionado para essa semana. E depois de horas procurando um dos filmes finalmente achei. Então de repente meu celular começou a tocar, e era Zoe.


Maya: Alô?
Zoe: Onde você está?
Maya: Eu tô na locadora pegando os filmes que você me pediu, louca.
Zoe: Deixe esses filmes aí e venha a minha casa, agora.
Maya: O que aconteceu? 
Zoe: Apenas venha, ok Maya?


Deliguei o telefone e toda envergonhada devolvi o filme e saí da loja. Passei na lanchonete da esquina e comprei um refrigerante, porque estava realmente muito calor e só faltei morrer ao entrar no Miata, que por sinal estava quase sem gasolina. Ao chegar na casa de Zoe a mãe dela atendeu e disse que eu podia subir. Bati na porta e entrei e me deparei com uma cena muito estranha: Zoe andando de um lado para o outro e roupas, muitas roupas jogadas no chão.


Maya: O que é isso? Parece que um furacão passou por aqui.
Zoe: Prazer, furacão. 
Maya: Que roupas são essas?
Zoe: São as roupas da minha irmã. Já que ela foi pra faculdade, decidiu aceitar Jesus e se vestir bem. E deixou todas as roupas de piriguete dela aqui - Olhei e havia uma imensidão de shorts curtos, tops e blusinhas pela cama e pelo chão do quarto de Zoe.
Maya: Era só pra isso que você me chamou aqui?
Zoe: Claro que não né lesada. Eu consegui um convite com direito a um acompanhante para a festa de um dos garotos do time de futebol da escola. Pensei que poderíamos ir e usar as roupas da minha irmã.
Maya: Ok, mas de quem é a festa.
Zoe: Não sei e não importa, porque eu consegui e nós vamos.
Maya: Como você conseguiu?
Zoe: Eu tenho meus contatos.
Maya: Desde quando? -eu ri e ela fechou a cara-
Zoe: Ok, minha mãe é amiga da mãe do garoto "dono" da festa, então a amiga da minha mãe deu um convite pra ela, pra que minha mãe me desse pra poder ir a festa.
Maya: Ok, mas não vamos. Não podemos ir.
Zoe: Por que não? Me de 3 motivos.
Maya: 1° Não conhecemos ninguém 2° Somos as odiadas e esquisitonas da escola 3°Ninguém vai nos notar.
Zoe: Olha Maya, eu te amo, você é minha melhor amiga, mas se liga. A vida é mais do que assistir filmes no sábado a noite. É mais do que aceitar ser odiada e esquisitona. É sobre cometer erros e aprender com eles, é sobre ser "a zoada", mas não ligar e ser você mesmo. Eu só quero curtir em quanto eu ainda sou adolescente, apenas isso. Só quero sentir o momento e se você não vem comigo, me desculpe, mas eu vou sozinha. -eu olhei para os meus pés, desapontada comigo mesmo. Ela tinha razão, e eu iria com ela-
Maya: Ok, não vou deixar você ir sozinha.
Zoe: Ahhhh -ela deu um gritinho estérico- Vem, vamos escolher uma roupa.


Então começou. Mergulhávamos nas pilhas de roupas e íamos selecionando o que gostávamos. Na verdade eu não gostava de muita coisa, mas Zoe me deu algumas dicas e consegui selecionar algo que era bonito e me agradasse.


Zoe: E aí, como foi a festa do pastor? -ela gargalhou-
Maya: Ah meu Deus, é mesmo. esqueci de te contar.
Zoe: O que?
Maya: O que aconteceu na festa do pastor, porra. -ela gargalhou de novo-
Zoe: O que pode ter acontecido na festa de um pastor?
Maya: Muito mais do que você possa imaginar.
Zoe: Conta logo.
Maya: Será que devo? -fiz suspense-
Zoe: Vai logo -ela jogou uma almofada em mim-
Maya: Por incrível que pareça tinha muita gente da nossa escola lá na casa dele. Eles tomaram a sala e colocaram música pra dançar.
Zoe: Arg, não deveria ter levado a pulguenta da tuts no veterinário ontem -Ele apertou uma blusa que estava na mão dela- E aí, era só isso?
Maya: Não. Tinha um cara...
Zoe: Ah meu Deus, Ah meu Deus.
Maya: Vai me deixar contar ou não?
Zoe: Desculpa.
Maya: Então, ele parecia ser bem mais velho e nunca tinha visto ele antes. Ele definitivamente não é do SFHS.
Zoe: Então?
Maya: Ele ficou me olhando e depois me chamou pra dançar.
Zoe: AAAAAAAAAAAAAAAH, eu não acredito -a essa altura ela já estava pulando e gritando-
Maya: De começo eu achei que era pegadinha do povinho da escola, mas ele disse que não.
Zoe: E como era o nome dele? 
Maya: Na verdade ele não quis me dizer.
Zoe: Hmm, um amante misterioso? Que excitante.
Maya: Cala a boca vai, Zoe. Mas foi tudo tão clichê que eu quase ri sozinha e me lembrei de você.
Zoe: Como assim clichê?
Maya: A gente dançou uma música romântica, mas como eu não sabia dançar ele me fez pisar nos pés dele pra dançar.
Zoe: Sério? -ela gargalhou pela terceira vez- Mas que brega.
Maya: Eu sei, mas passei a noite inteira pensando nele. Talvez nunca mais o veja.
Zoe: Já sei o que vamos fazer o próximo sábado. Procurar seu amante -eu ri e taquei a almofada nela-


Ainda sábado, 20h30.


Eu já havia ligado pra minha mãe e dito que eu ia a uma festa com a Zoe e que depois dormiria na casa dela. Agora meu olhos estavam fechados, enquanto Zoe me maquiava. Quando eu abri os olhos estava com uma sombra preta bem forte, uma batom vermelho e um pouquinho de blush.


Maya: Que isso? Eu tô parecendo uma puta.
Zoe: Você está linda, olhe no espelho. -eu estava com uma botinha, um short e uma blusinha caída- Agora é só você fazer isso -ela tirou o clip do meu cabelo e meu cabelo foi solto. Os cachos caíram sobre meus ombros, eu odiava aqueles cachos- Parece uma princesa.
Maya: Não exagera vai -abracei ela- Então que hora é a festa?
Zoe: 20hrs.
Maya: O QUE? VAMOS LOGO, JÁ SÃO 20h30.
Zoe: Os descolados não chegam na hora. Vai parecer que estamos desesperadas ou sem nada pra fazer.
Maya: Das duas opções, as duas estão certas.
Zoe: Mas ninguém precisa saber, né?! -ela deu um tapa de leve em mim-

Já era mas ou menos umas 21h15, quando eu estacionei o Miata a duas quadras da festa. Joguei a chave pra Zoe porque eu não tinha bolsos para guarda-la. Entramos e tava tudo muito insano. A casa estava lotadissima, as luzes apagadas. Eu e Zoe fomos até a cozinha, que era o único comodo de luz acesa e pegamos umas bebidas. Tomei o primeiro gole de desceu rasgando, depois de engolir comecei a tossir.


Maya: O que é isso?
Zoe: Vodka Maya, vodka.
Maya: Que troço forte -cof cof- mas é muito bom. -terminei meu copo e peguei outro.-


Era tão engraçado como os garotos paravam pra falar com a gente pelas nossas roupas curtas e 1kg de maquiagem. Normalmente eles nem sabem que nós existimos. Começamos a conversar com alguns caras e eles nos levaram pra pista pra dançar um pouco. Tinha um DJ na sala, tocando umas músicas muito boas. Já era meu 5° copo de vodka e eu estava perdendo a sanidade. Eu estava me acabando naquela pista de dança, o que me deu um pouco de dor de cabeça, então decidi ir pra cozinha pouco pra respirar. E foi a aí que eu o vi. O garoto da noite anterior. O que eu vi na casa do pastor. O que eu dancei.


Maya: Ora, ora ora. O que fazes aqui? -ele se virou e deu um meio sorriso-
-Olá Maya-
Maya: Pera, como você sabe meu nome? -as palavras saiam emboladas, efeito da bebida-
-Nem queira saber. E você, o que faz aqui?
Maya: Tô só curtindo.
-Pois é, estou vendo. Por falar nisso, você está linda.
Maya: Você garotos são todos iguais. Decotes e roupas curtas sempre agradam vocês.
-Quer saber, ainda prefiro suas roupas normais.
Maya: E eu duvido. Vem cá, você não quer me falar seu nome não? Chega desse mistériozinho bobo.
-Justin, meu nome é Justin.
Maya: Hm, bonito nome. E o que um cara sensual de nome bonito como você faz na festa de um cara do colegial?
Justin: Cara sensual de nome bonito? Você acha isso?
Maya: Sim, mas você nunca saberia se não fosse pelo efeito da bebida.
Justin: Santa vodka hein. -ele disse e eu gargalhei alto-
Maya: Então, vai responder minha pergunta ou não?
Justin: É que eu e aquele cara ali -apontou pra um loiro- somos velhos amigos do Chaz.
Maya: Chaz? Essa casa é do Chaz?
Justin: Sim, ela é. Por que?
Maya: Ai meu Deus, ele é namorado da minha irmã.
Justin: Você tem irmã?
Maya: Não, é só uma vagabunda que é filha do cara que casou com a minha mãe.
Justin: E daí? -ele deu um gole na bebida dele-
Maya: E daí que ela é uma inferno na minha vida e se me ver aqui vou ser zoada o resto do ano.
Justin: Maya, só relaxa ok?
Maya: Shiiii -coloquei meu dedo na boca dele de forma desajeitada- Vamos dançar antes que eu me arrependa de ter vindo.


Eu já não sabia o que estava fazendo, só sabia que queria dançar e me acabar de tanto beber. Puxando o Justin para sala pra podermos dançar um pouco peguei um whisky na mão de alguém, e realmente não estava me reconhecendo. Justin tinha me dito que não sabia, mas mesmo assim continuei insistindo, disse que era só se mexer um pouco e lá estávamos nós, dançando de novo.



Narração


Maya não sabia o que fazia, só sabia que se arrependeria de duas coisas na manhã seguinte: de ter feito tanta coisa fora do comum e de não poder fazer um pouco mais. Ela pulava, se mexia, descia até o chão, tudo com o bendito copo de whisky na mão. Ela cheirava bebida de longe, o seu cabelo estava encharcado pois pular com o copo na mão não foi a melhor ideia que ela já teve. Justin já havia parado de dançar, agora apenas observava Maya de longe, fumando um cigarro. Ele não acreditava que depois de tanto tempo tinha encontrado sua doce Maya, tinha esperado por isso praticamente os últimos 15 anos e agora tinha se tornado realidade.
Enquanto Maya dançava viu o garoto loiro vestido todo de preto se aproximar de Justin então parou de apenas observou. O garoto sussurrou algo no ouvido dele e Justin apenas olhou de canto pro garoto, tragou o cigarro e balançou a cabeça positivamente. Ele andou em direção a Maya.


Justin: Maya, hm, eu vou embora.
Maya: Fica mais, por favorrrrr -ela soluçou-
Justin: Nossa, você ta muito bêbada.
Maya: Eu sei, por isso eu quero que você fique.
Justin: Não dá.
Maya: Por fav... -ela caiu no chão-
Justin: Ok, eu te levo pra casa então.


Justin colocou o braço no ombro de Maya e saiu da festa andando. Eles estavam indo até o até o carro de Justin quado Maya avistou seu Miata vermelho, correu até ele e pulou no capô do carro.


Maya: Meu carro, meu carrinho. -quando ela disse isso, depois a única coisa que conseguiu foi vomitar-
Justin: Ok, vamos logo -Justin pegou ela e colocou dentro de seu carro- Onde é sua casa?
Maya: Não me lembro.
Justin: Ai meu Deus -ele passou a mão na testa- ok, vou te levar pra minha casa então.


Domingo, 02h45 da manhã. Casa do Justin.


Maya passava mal, coisa que nunca tinha passado antes. Ela estava jogada no sofá da sala do Justin enquanto ele preparava um café bem forte. Do sofá, Maya observava o quão a casa de Justin era bonita. Tinha uns quadros antigos na parede, no qual ela ficou encantada. E assim percebeu a grande burrada que tinha feito. Ela não conhecia Justin, não sabia nada sobre ele. Ele podia muito bem ser um estripador maluco, e ao pensar isso o medo tomou conta de seu corpo. Mas o que podia fazer? Ela não podia nem andar sozinha que caia no chão. Justin entrou na sala com uma chicara de café.


Justin: Beba, vai te fazer melhor.
Maya: Obrigada -assim que ela bebeu, correu pro banheiro para vomitar mais-
Justin: Ok, você precisa dormir um pouco. Vem eu te mostro minha cama -ouvindo essas palavras ela se afastou dele-
Maya: Eu não vou dormir com você. se você fizer algo, chamo o policia.
Justin: Não seja boba, não vou fazer nada com você. E outra, você não consegue nem ficar de pé sozinha, como vai chamar a policia? -Justin puxou ela para o quarto arrumou os lençóis e ela deitou- Essa roupa parece desconfortável, vou pegar algo pra você vestir -Ele entrou em uma porta que tinha no quarto e depois saiu com uma camiseta preta e grande dele- Você pode vesti-la -ele deu a camiseta a ela e saiu do quarto. Maya pegou a camiseta para poder vestir e assim que levantou da cama, cambaleou um pouco e caiu no chão- Ok, vou te ajudar a vestir -Justin disse entrando no quarto-
Maya: Saí pra lá, não quero que você me veja sem roupa.
Justin: Não vou olhar, te juro. -ele deitou ela na cama e tirou seus sapatos, depois o short e por ultimo a blusa- Ok, eu olhei, obvio. Mas não vou fazer nada com você. Pode confiar -ele passou as mãos na perna dela.
Maya: Ei, achei que não ia fazer nada.
Justin:Desculpe, força do habito. -pegou a blusa preta e vestiu nela. Puxou o lençou e a coberta e a cobriu. Trouxe um cesto pra dentro do quarto- Caso você passe mal, pode vomitar aqui -ele sorriu-
Maya: Ei, Justin... Obrigada.
Justin: Não tem por onde -ele riu-
Maya: Sério, obrigada mesmo. Eu estou bêbada e indefesa, você podia fazer o que quiser comigo. Na verdade qualquer um faria, mas você não. Obrigada de verdade. -ele apenas assentiu e sorriu saindo do quarto. Depois de minutos Maya já estava dormindo.









Continua...

"Never let me go - 1° Capítulo"

quarta-feira, 12 de junho de 2013


"O fantástico da vida é estar com alguém que sabe fazer de um pequeno instante um grande momento"







Finalmente era sexta-feira. Não aguentava mais ouvir a senhorita Booker falar mais sobre a importância da biologia. Avistei meu Miata vermelho no estacionamento, um presente do meu pai, antes que ele fosse para Londres. Joguei meus livros no banco do passageiro, girei a chave e sai do estacionamento. Cheguei em casa e mal abri o portão da garagem já comecei a me estressar. A vadia tinha ocupado a garagem inteira com o carro dela. Fechei o portão e estacionei mesmo em frente a garagem. Desci do Miata com meus livros empilhados tentando achar um ponto de equilíbrio, cambaleando para poder abrir a porta. Entrei e joguei os livros no sofá e fui atrás de Hope para reclamar com ela.

Maya: Porque você ta usando a garagem inteira para guardar seu carro, vadiazinha?
Hope: Calma aí, esquisitona. Ta estressadinha?
Maya: Tirando minha vontade de dar uma na sua cara, nem um pouco. -Meu nível de ironia estava ultrapassado-
Hope: *Gargalhou* E quem é que vai me bater? Você?
Maya: Você sabe que eu posso, não sabe?
Hope: Mãããããããe -Ela gritou fazendo voz de manhosa-

Eu já havia dito para Hope parar de chamar MINHA mãe de mãe, porque cada uma tinha a sua e eu não estava nem um pouco afim de dividir a minha com ela.

Katherine: O que foi Hope? -Minha mãe desceu as escadas assustadas-
Hope: Maya está me ameaçando. Disse que ia me bater.
Katherine: Filha, se comporte por favor. E vão se arrumar, porque daqui a pouco nós vamos na casa do Pastor. Hoje é aniversário dele.

Subi as escadas e bati a porta do meu quarto com força prendi meus cabelos e me joguei na cama, peguei meu celular afim de passar uma mensagem para Zoe, minha melhor amiga desde meus 4 anos de idade.

-Minha mãe vai me obrigar a ir no aniversário do pastor. Você não quer ir?
-Agora? Impossível! Também fui obrigada a levar meu gato ao veterinário, posso com isso? '-'
-Ok, tudo bem então. Boa sorte com o gato.
-E você com o Pastor.

 
Soltei meus cabelos e entrei no banheiro. Tomei uma ducha bem quente e lavei meus cabelos com muito cuidado. Saí do banho e escolhi um vestido bonito que eu tinha guardado no armário e que quase nunca era usado, sequei rapidamente meus cabelos com o secador, de forma que eles caiam sobre meus ombros com longos e delicados cachos. Passei um batom um pouco claro e me olhei no espelho. Não estava tão mal assim.
Quando chegamos na casa do Pastor ele nos recebeu ao lado de sua nova esposa. A sua esposa falecida havia morrido fazia mais ou menos uns dois anos e quando ele encontrou aquela mulher disse que foi Deus que havia a enviado para ele e se casou com ela. A casa estava cheia e eu não sabia o que iria fazer ali, sozinha, sem Zoe. Não era novidade pra ninguém que a única amiga de minha idade que eu tinha era ela. E minha outras "amizades" eram algumas velhinhas, nossas vizinhas que participavam do clube do livro com a minha mãe. Acompanhei minha mãe pela entrada quando ela e Robert conversavam com o pastor

Pastor: Sua filha é muito linda -ele disse se referindo à Hope. Ele não nos conhecia porque nunca íamos até seus cultos-
Katherine:Não, não -minha mãe olhou pra mim e sorriu constrangida - Essa é minha enteada Hope, mas é como se fosse minha filha -minha mãe abraçou ela, e não havia jeito de me sentir melhor com isso, sendo a segunda opção-
Pastor: Me desculpe, mas sua filha também é bem bonita -ele olhou para mim- Maya não é mesmo? -eu assenti- Ok, vamos pegar algo para vocês comerem

Nós fomos até a cozinha e a casa realmente estava muito cheia. O pastor nos ofereceu algumas coisas para comer e eu apenas aceitei o refrigerante. Enquanto conversavam, a mulher do pastor me levou a sala, onde estavam todos os adolescentes dançando com a música um pouco alta. Eu sentei-me no sofá e apenas fiquei observando. E lá nada de interessante também. As mesmas pessoas da escola estavam lá. Não era atoa quando minha mãe dizia que que toda a cidade adorava o pastor, principalmente os que participavam do grupo dos jovens. Eram sempre as palavras da minha mãe. De repente começou a tocar uma música que eu gostava muito, e o ritmo foi invadindo o meu corpo e eu comecei a mexer meu pé. Fiquei observando pra ver se ninguém prestava atenção em mim e era obvio que não. A não ser por um cara, que parecia ser mais velho do que os que estavam ali. Meu olhar se encontrou com o dele e eu abaixei minha cabeça e arrumei a saia de meu vestido afim de disfarçar a minha vergonha e instantes depois quando eu levanto a minha cabeça ele não está mais lá. O que eu achei? Que ele estava interessado em mim? PRUFFF, besteira.

- Oi - me assustei e quando olhei para o lado o cara estava sentado ao meu lado
Maya: Oi, quem é você?
-Muito boa essa música, não é mesmo- ele ignorou a minha pergunta -Você gosta deste tipo de música?
Maya: Gosto, mas quem é você?- perguntei um pouco assustada
-Pois é, eu também gosto. Quer dançar?- Ele se levantou e estendeu a mão para mim
Maya: Primeiro:Quem é você? Segundo: Eu não sei dançar e terceiro: Quem foi que te pagou para você zoar com a minha cara?- perguntei irritada
-Zoar com a sua cara?- ele se fez de desentendido
Maya: Por favor, todos nós aqui sabemos que ninguém desta sala gosta de mim, muito menos que iriam me chamar pra dançar. Ainda mais um cara como você- disse como se fosse óbvio
-Um cara como eu?-
Maya: Ah... você sabe...- ele balançou a cabeça negativamente -Esquece.
-Vem logo

Ele me puxou pela mão. Na mesma hora a música acabou e começou a tocar uma com a ritmo mais devagar. Olhei e fiz uma cara de tipo "Que pena, a música acabou. Tchau". Mas ele novamente balançou a cabeça negativamente e colocou suas mãos em minha cintura e passou meus braços pelos seus ombros. Ele começou a fazer movimentos lentos e eu estava completamente perdida. Ainda queria saber quem era aquele cara. Ele percebeu o quanto eu estava perdida, e fez com que eu pisasse em seus pés, para eu acompanhar seus movimentos. Juro que se Zoe estivesse aqui, riríamos disso e quando isso era clichê.

Maya: E agora, posso saber meu nome?
-Hum... Acho melhor não. Não por enquanto.
Maya: Pelo menos posso saber sua idade?
- Se você for uma boa menina, talvez eu te conte.

Ok, aquilo era realmente ridículo. Eu estava dançando com um cara e nem poderia saber o nome dele. Ele me puxou mais pra perto e me abraçou. A música era do tipo daquelas música melosas que eu não gosto nem um pouco e aquela situação estava me deixando um pouco desconfortável

Maya: Acho que vou me arrepender disso. Não estou certa?
-Provavelmente- e o silêncio prevaleceu durante mais ou menos um minuto -21...
Robert: Maya, vamos. Sua mãe ainda tem que passar na casa de sua vó para ver se ela está bem- Robert me puxou pela mão e eu nem se quer tive tempo de dizer tchau para o cara





Continua...