"Never let me go - 1° Capítulo"

quarta-feira, 12 de junho de 2013


"O fantástico da vida é estar com alguém que sabe fazer de um pequeno instante um grande momento"







Finalmente era sexta-feira. Não aguentava mais ouvir a senhorita Booker falar mais sobre a importância da biologia. Avistei meu Miata vermelho no estacionamento, um presente do meu pai, antes que ele fosse para Londres. Joguei meus livros no banco do passageiro, girei a chave e sai do estacionamento. Cheguei em casa e mal abri o portão da garagem já comecei a me estressar. A vadia tinha ocupado a garagem inteira com o carro dela. Fechei o portão e estacionei mesmo em frente a garagem. Desci do Miata com meus livros empilhados tentando achar um ponto de equilíbrio, cambaleando para poder abrir a porta. Entrei e joguei os livros no sofá e fui atrás de Hope para reclamar com ela.

Maya: Porque você ta usando a garagem inteira para guardar seu carro, vadiazinha?
Hope: Calma aí, esquisitona. Ta estressadinha?
Maya: Tirando minha vontade de dar uma na sua cara, nem um pouco. -Meu nível de ironia estava ultrapassado-
Hope: *Gargalhou* E quem é que vai me bater? Você?
Maya: Você sabe que eu posso, não sabe?
Hope: Mãããããããe -Ela gritou fazendo voz de manhosa-

Eu já havia dito para Hope parar de chamar MINHA mãe de mãe, porque cada uma tinha a sua e eu não estava nem um pouco afim de dividir a minha com ela.

Katherine: O que foi Hope? -Minha mãe desceu as escadas assustadas-
Hope: Maya está me ameaçando. Disse que ia me bater.
Katherine: Filha, se comporte por favor. E vão se arrumar, porque daqui a pouco nós vamos na casa do Pastor. Hoje é aniversário dele.

Subi as escadas e bati a porta do meu quarto com força prendi meus cabelos e me joguei na cama, peguei meu celular afim de passar uma mensagem para Zoe, minha melhor amiga desde meus 4 anos de idade.

-Minha mãe vai me obrigar a ir no aniversário do pastor. Você não quer ir?
-Agora? Impossível! Também fui obrigada a levar meu gato ao veterinário, posso com isso? '-'
-Ok, tudo bem então. Boa sorte com o gato.
-E você com o Pastor.

 
Soltei meus cabelos e entrei no banheiro. Tomei uma ducha bem quente e lavei meus cabelos com muito cuidado. Saí do banho e escolhi um vestido bonito que eu tinha guardado no armário e que quase nunca era usado, sequei rapidamente meus cabelos com o secador, de forma que eles caiam sobre meus ombros com longos e delicados cachos. Passei um batom um pouco claro e me olhei no espelho. Não estava tão mal assim.
Quando chegamos na casa do Pastor ele nos recebeu ao lado de sua nova esposa. A sua esposa falecida havia morrido fazia mais ou menos uns dois anos e quando ele encontrou aquela mulher disse que foi Deus que havia a enviado para ele e se casou com ela. A casa estava cheia e eu não sabia o que iria fazer ali, sozinha, sem Zoe. Não era novidade pra ninguém que a única amiga de minha idade que eu tinha era ela. E minha outras "amizades" eram algumas velhinhas, nossas vizinhas que participavam do clube do livro com a minha mãe. Acompanhei minha mãe pela entrada quando ela e Robert conversavam com o pastor

Pastor: Sua filha é muito linda -ele disse se referindo à Hope. Ele não nos conhecia porque nunca íamos até seus cultos-
Katherine:Não, não -minha mãe olhou pra mim e sorriu constrangida - Essa é minha enteada Hope, mas é como se fosse minha filha -minha mãe abraçou ela, e não havia jeito de me sentir melhor com isso, sendo a segunda opção-
Pastor: Me desculpe, mas sua filha também é bem bonita -ele olhou para mim- Maya não é mesmo? -eu assenti- Ok, vamos pegar algo para vocês comerem

Nós fomos até a cozinha e a casa realmente estava muito cheia. O pastor nos ofereceu algumas coisas para comer e eu apenas aceitei o refrigerante. Enquanto conversavam, a mulher do pastor me levou a sala, onde estavam todos os adolescentes dançando com a música um pouco alta. Eu sentei-me no sofá e apenas fiquei observando. E lá nada de interessante também. As mesmas pessoas da escola estavam lá. Não era atoa quando minha mãe dizia que que toda a cidade adorava o pastor, principalmente os que participavam do grupo dos jovens. Eram sempre as palavras da minha mãe. De repente começou a tocar uma música que eu gostava muito, e o ritmo foi invadindo o meu corpo e eu comecei a mexer meu pé. Fiquei observando pra ver se ninguém prestava atenção em mim e era obvio que não. A não ser por um cara, que parecia ser mais velho do que os que estavam ali. Meu olhar se encontrou com o dele e eu abaixei minha cabeça e arrumei a saia de meu vestido afim de disfarçar a minha vergonha e instantes depois quando eu levanto a minha cabeça ele não está mais lá. O que eu achei? Que ele estava interessado em mim? PRUFFF, besteira.

- Oi - me assustei e quando olhei para o lado o cara estava sentado ao meu lado
Maya: Oi, quem é você?
-Muito boa essa música, não é mesmo- ele ignorou a minha pergunta -Você gosta deste tipo de música?
Maya: Gosto, mas quem é você?- perguntei um pouco assustada
-Pois é, eu também gosto. Quer dançar?- Ele se levantou e estendeu a mão para mim
Maya: Primeiro:Quem é você? Segundo: Eu não sei dançar e terceiro: Quem foi que te pagou para você zoar com a minha cara?- perguntei irritada
-Zoar com a sua cara?- ele se fez de desentendido
Maya: Por favor, todos nós aqui sabemos que ninguém desta sala gosta de mim, muito menos que iriam me chamar pra dançar. Ainda mais um cara como você- disse como se fosse óbvio
-Um cara como eu?-
Maya: Ah... você sabe...- ele balançou a cabeça negativamente -Esquece.
-Vem logo

Ele me puxou pela mão. Na mesma hora a música acabou e começou a tocar uma com a ritmo mais devagar. Olhei e fiz uma cara de tipo "Que pena, a música acabou. Tchau". Mas ele novamente balançou a cabeça negativamente e colocou suas mãos em minha cintura e passou meus braços pelos seus ombros. Ele começou a fazer movimentos lentos e eu estava completamente perdida. Ainda queria saber quem era aquele cara. Ele percebeu o quanto eu estava perdida, e fez com que eu pisasse em seus pés, para eu acompanhar seus movimentos. Juro que se Zoe estivesse aqui, riríamos disso e quando isso era clichê.

Maya: E agora, posso saber meu nome?
-Hum... Acho melhor não. Não por enquanto.
Maya: Pelo menos posso saber sua idade?
- Se você for uma boa menina, talvez eu te conte.

Ok, aquilo era realmente ridículo. Eu estava dançando com um cara e nem poderia saber o nome dele. Ele me puxou mais pra perto e me abraçou. A música era do tipo daquelas música melosas que eu não gosto nem um pouco e aquela situação estava me deixando um pouco desconfortável

Maya: Acho que vou me arrepender disso. Não estou certa?
-Provavelmente- e o silêncio prevaleceu durante mais ou menos um minuto -21...
Robert: Maya, vamos. Sua mãe ainda tem que passar na casa de sua vó para ver se ela está bem- Robert me puxou pela mão e eu nem se quer tive tempo de dizer tchau para o cara





Continua...

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